Dog Style - O meu filho é um cachorro

>> domingo, março 09, 2008

Copacabana, 14:07. Sentado num dos novos trailers da orla tomando uma água de coco num calor de 39º, me deparo com uma coroa passeando tranquilamente pela praia, despertando alguns olhares curiosos, a atenção de turistas no mesmo trailer e de outra coroa surpresa, que exclama para sua amiga: "sua filha está linda!". Eis um retrato falado da meliante com sua filha:

Um Poodle Roxo! Puta que o pariu! E a dona tinha, por encreça que parível, o cabelo da mesma cor! Afinal, ela pintou o Poodle com tinta de cabelo? Eis a resposta encontrada num fórum sobre "cães":

(...) a tinta para pintar cães é uma anilina fortíssima dissolvida em álcool, resseca a pele, o pelo e pode causar rachaduras (portanto é mais absurda que o papel crepom). Ainda prefiro utilizar anilina de bolos e confeitos, a tonalidade fica mais suave e não é nada prejudicial, afinal, é um alimento!! Veterinário não é "cabeleireiro" portanto, se vc pretende banhar, tosar ou pintar seu cachorro, procure um GROOMER, (tosador profissional).

Papel crepom? Anilina de Bolos e Confeitos? Só pode ter uma explicação médica! Ou seja a coroa é diabética e quando sua taxa de açucar cair ela LAMBE o próprio cachorro! Como nunca pensei isso antes? Já sei qual será o presente de aniversário do meu pai! Além da noticia bombástica; Pai resolvi assumir: virei um GROOMER. Dá mais dinheiro que Jornalismo.

O que faz um ser humano elevar (?) um animal de estimação a um filho ou pior a um acessório da moda? Carência? Solidão? Auxilio a Depressão? Amor aos animais? Abandono? Caridade? Fica super fashion? Ou é mais barato que comprar bibelos na Uruguaiana?

Como chegamos a esse ponto? Como o cão primitivo era com o ser humano? Aliás, para que merda servia um cachorro mesmo?

**********FLASHBACK HISTÓRICO *************

O cão primitivo era visceral, tinha mais dentes que células, instintivo como um lobo, corriam em matilhas, que causavam o pesadelo dos humanos, arrancando até a propria pata se esta prejudicasse seu caminho, o de sua matilha ou a busca de seu alimento. O cão primitivo era o pirocudo do passado, onde o homem, tadinho, que andava com o rabinho entre as pernas.
O homem teve uma luz e percebeu que ambos tínhamos os mesmos objetivos: andávamos em bando, protegiamos uns aos outros e queriamos sobreviver. Bingo! Vamos juntar os panos de bunda e trabalhar do mesmo lado. Depois de muita chacina, arranca rabo de ambos os lados, genocídio de lobos-cães e homens-primatas, futuramente chamaríamos isso tudo de EVOLUÇÃO, o homem eretcus conseguiu domesticar o caninus-de-quatrus, descobrindo uma parceria que duraria alguns milhares de anos.

********FASTFOWARD HISTÓRICO********

Entramos na idade do bronze, do ferro, Alexandre o Grande, Gengis Kahn, Dinastia Egípcia (mais gatos que cães), Os gregos, Romanos, Invasões Bárbaras, Mongóis, Idade Média, Inquisição Católica, Protestantismo, Renscimento, Era industrial, Duas merdas de guerras mundiais, Revolução Sexual, Rebeldia e Espírito Livre, Vietnã, Capitalismo.

Então o cachorro se fudeu!

Em milhões de casos o cão perdeu sua funcionalidade para virar mimo de madame, acessório da roupa, objeto de luxo e decoração para finalmente assumir um patamar que nenhum primata imaginaria: o de filho ou pior de dono do dono!

Casos e casos eu posso relatar aqui de ambos aspectos. Vou citar dois.

Por exemplo, tenho uma conhecida na Lagoa dona de um Golden Retrivier. O cachorro é sensacional, mas como ele cresceu mais do que a dona queria, e o cachorro desde que entrou na vida dela dorme com ela na cama, já que mora sozinha, o que fazer p dormir tranquilo os dois, dona e cachorro? Comprar um cama King Size! Fácil! O namorado dessa conhecida me contou um fato inusitado: como o cachorro dorme com a dona, eles jamais transaram na casa dela! Imagine se eu, cachorro, vou deixar qq vagabundo deitar na MINHA CAMA, com a MINHA DONA! Quase, por muito pouco ele tem algumas partes extirpadas do seu corpo. Solução prática? NUNCA transar na casa da namorada! Da namorada não, nunca transar na casa do cachorro! Literalmente falando! Não, não sei como o namoro continuou. Já tive uma experiência parecida com gato. No ap de uma ex, quando os beijos na cama se tornaram gemidos, o gato pulou nas minhas costas. Nuas. A dona gargalhou, achou que o gato estava com "cíuminho" (sic), e que talvez, quem sabe, por ventura, conquanto, eu estava fazendo alguma coisa "má" (sic) com a dona! A unica coisa que eu pensava era se o gato cairia de pé do 10º andar, e que eu colocaria isso em prática! Fui trocado por um gato!

Outro fato era de dois Yorkshires (odeio cachorro pequeno! Eles tem uma propensão por parte dos donos a se tornarem bichinhos fofoletes! servem para serem pisados.), que esperavam seu dono sentar p comer junto conosco, um grupo de amigos. Como ele estava fazendo não sei o que, ele falou para nos servimos enquanto ele n chegava na mesa. Qual não foi a surpresa quando uma amiga que se serviu levou uma mordida no pé! Os cachorros latiram sem parar! Ou seja, enquanto o DONO, não se sentasse na mesa, que era costume dar varios petiscos para os cachorros em todas as refeições, NINGUÈM COMIA! Além de pagar uma antitenânica, o cachorro n estava vacinado, e nunca mais jantar na casa desse cara, todos concordaram que os cachorros mereciam ser pisoteados e pendurados atrás da porta, igual a uma pantufa!

Copiamos o que há de pior do mercado americano, denominado PETS. O mercado de Pets estadunidense movimenta bilhões de dólares A MAIS do que o mercado de artigos Infantis, numa exarcebação infundada de que criar um cachorro é mais barato do que criar um filho (já fui obrigado a ouvir isso).

No fim das contas, não vou me extender em todos os aspectos sociológicos, antropológicos, psicológicos que possam envolver. Recomendo a leitura da veterinária Sheila Nisky, especializada em comportamento canino:

O que um cachorro precisa p ser feliz

O artigo dela é inteligente, perspicaz, informativo, conclusivo e diz exatamente a maneira mais sagaz de como um cachorro deve ser tratado:

O que o faz muito mais feliz ? Ser tratado como cachorro, ou seja, um animal muito sociável, que faz parte de uma matilha – sua família – e precisa de uma hierarquia para entender as regras básicas de sobrevivência na sua casa. Quando ele define quem é o líder – faça o possível e o impossível para ser você, mas com justiça, não violência – a vida em família/matilha, fica super tranqüila.

O meu é tratado assim.


5 comentários:

Danielle Lima 7:58 PM  

Olha quem tem um blog agora tb! He he he...Não li tudo pq odeio cachorros, mas dizem que eles parecem como dono, né?
Beijão!
Fica bem...

Lily 4:50 PM  

Ahh! Amo cachorros!
Mas odeio essas frescurites excessivas que fazem com eles, tipo pintar de roxo, fazer festinha de aniversário e demais palhaçadas típicas de madames que não têm mais o que fazer da vida!
Talvez seja por isso, tb, q eu gosto de cachorro grande! Esses pequenininhos mto frágeis e cheios de nhém nhém nhém são mto chatinhos!

Ah! Adorei a foto doS cachorroS! :P hahahaha

bjksss

Anônimo 2:09 AM  

Você ja parou pra pensar que isso talvez não tenha nada a ver com tristeza, depressão e etc.. e sim com o fato de que algumas boas pessoas tenham o coração com tanto amor para dar seja pra pessoa ou animal? que talvez pior sejam aqueles que estejam com ciumes de um cão, pois eles recebem atenção e amor que certas pessoa nunca sentiram?
cada um ama o que quer. Pessoa ou animal. Não cabe a nós julgar.

Anônimo 8:34 PM  

eu concordo com o anonimo.
vcs estao é com ciumes pois n recebem o msm amor e carinho que um cachorro desses recebe!!
xau

Fernanda Pereira 8:58 PM  

Meu bem, o autor do blog, pelo menos, recebe muito mais amor carinho do que qqr poodle roxo que passeia no m² mais caro do RJ!!! Pq além de carinho ele tem respeito, ninguem tenta transforma-lo em um "acessório", e nem o Peter!!!

E tenho dito!!!!