A Queda para o Alto

>> segunda-feira, junho 19, 2006

“Minha vida, meu aplauso

Fiz de minha vida um enorme palco
Sem atores, para a peça em cartaz
Sem ninguém para aplaudir este meu pranto
Que vai pingando e uma poça no placo se faz.
Palco triste é meu mundo desabitado
Solitário me apresenta como astro
Astro que chora, ri e se curva à derrota
E derrotado muito mais astro me faço.
Todo mundo reparou no meu olhar triste
mas todo mundo estava cansado de ver isso
e todo mundo se esqueceu de minha estréia
Pois todo mundo tinha um outro compromisso.
Mas um dia meu palco, escuro, continuou
E muita gente curiosa veio me ver
Viram no palco um corpo já estendido
Eram meus fãs que vieram pra me ver morrer.
Esta noite foi e a noite em que virei astro
A multidão estava lá, atenta como eu queria
Suspirei eterna e vitoriosamente
Pois ali o personagem nascia
E eu, como ator do mundo, com minha solidão...
Morria!

(Anderson) Sandra Mara Herzer�

Nascido(a) no interior do Paraná no dia 10 de junho de 1962 era deixado aos cuidados da avó paterna. O pai foi assassinado a tiros quando Herzer era ainda muito pequeno. A mãe era prostituta, pouco o via. A mãe também morreu cedo. Foi então adotado por um casal de tios com quem passou a tratá-los por pai e mãe. Logo no início da adolescência encontrou na bebida um refúgio. Aos 13 anos teve um namorado chamado Bigode que morreu tragicamente em um acidente de moto. Divergências familiares e seu envolvimento com bebida levaram seus "pais" a se livrar dele enviando-o para a FEBEM sem nunca ter cometido qualquer crime. De então sua vida, dos 14 aos 17 foi entre uma unidade e outra da FEBEM com pequenos períodos de fuga, onde "respirava" o mundo exterior.

Essa é a pequena e fulgaz história de Sandra Mara Herzer, a poeta de literatura Marginal, muito pouco conhecido e felizmente com um admirador desde sempre: eu! Conheci o livro de Herzer em 1996 e desde então nunca mais o vi. Garimpando titulos em busca de informações de apoio para meu trablho de violência infantil, encontro o livro de Herzer como REFERÊNCIA a esse tema. Muitíssimo bem colocado e aplicado, qq um deveria ler e se aprofundar na vida dela, que se caracterizou como homem para obter uma defesa perante tudo que ela sofreu.
Literatura antes de ser classificada, não pode deixar de lado um de seus maiores objetivos: difundir a cultura. Literatura marginal, Capítulo à parte. Desvio de uma realidade em que muitas pessoas acham exagerada. Esse é um relato seco e sofrido, onde mais do que ver, nada mais sincero do que nos fazer enxergar.

Reflita sobre seu sofrimento atual, e agradeça sempre por não ter que mudar sua personalidade para sobreviver. Adaptado para o teatro, é encontrado nos melhores sebos do Rio:

A QUEDA PARA O ALTO
Sandra Mara Herzer
Editora Vozes

Beijos, abraços e um remedinho de vez em quando...

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Fim de Período – O Limiar do Inferno

>> sábado, junho 17, 2006

Todos aqueles seres humanos que passaram por um final de período com uma bateria de provas e uma caralhão de trabalhos para entregar, sabem perfeitamente o que é essa época! (A não ser aqueles que ainda não fizeram uma monografia! Essa sim é uma linha tênue entre a sanidade e a loucura!) Eu que não durmo mesmo desde inicio de maio já me acostumei. Graças aos céus e não a Santo Antonio, essa é a ultima semana e estarei respirando aliviado com uma garrafa de vinho de 5 litros ligado a uma bomba de oxigênio! Por isso passei um tempo sem postar nada!;-)
Como ainda estou terminando de digitar um ultimo trabalho, existem dois deles em especial: um sobre Psicologia e a Violência Infantil e outro sobre Cultura Brasileira e o Casarão dos Prazeres de Santa Teresa (que o Diretor do Dept de Patrimônio Histórico e Cultural da Prefeitura do Rio de Janeiro achou que fosse um puteiro! Qq amigo ou amiga eu entendo, mas esse cara foi foda!), onde fiz diversas pesquisas em livros sobre o tema, interessantíssimos sobre a criminalidade no Rio de Janeiro. Não que uma overdose de violência seja comum a todas as pessoas que moram aqui, mas fingir que não é contigo ou fingir que não existe é mais fácil do que vc PROCURAR violência o tempo todo. E absurdos, insensatez e incredulidade a parte, as coisas são bem piores do que são! Qunado tudo estiver terminado eu dou uma palhinha sobre os temas!


Copa? Quem ouviu falar de Copa? Ah sim! Só o fato de eu não ter tido duas provas em dois dias porque um dos dias foi jogo do Brasil, e infelizmente a professora de Lingüística teve que dar as DUAS provas em UMA só, e eu me prejudicar por causa disso fez com o que todo brasileiro “patriota� não faz em tempo como esses: quero que a Copa se foda!

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Só para dizer que não ligo taaaaaaaaaanto assim para copa, aqui vai o grito de guerra na péssima atuação do Brasil no jogo contra a Croácia:

"Camisa feia / De quadradinho / Todo croata que eu conheço é viadinho!"


Beijos, abraços e um remedinho de vez em quando...

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Consomedor

>> sexta-feira, junho 02, 2006


Consomedor
Originally uploaded by Igor Garcia.
Quanto mais eu como, mais eu emagreço.
Quanto mais me somo, mais desapareço.
Quanto mais me domo, mais enlouqueço.
E quanto mais cromossomo, mais aconteço.

Some homem mais arte e mata a fome em parte.
Consome a fome de arte e se nasce um homem totalmente à parte.
Na arte da fome de ser homem, transmuta a fome da arte no homem sem parte, que parte com fome e não some.
Soma.
E deixa à todos uma sublime felicidade de sonhar que desta arte também fazemos parte.

(Moska)

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A experiência Código da Vinci

>> sábado, maio 20, 2006

Ontem, dia 19, foi meu aniversário! E como presente que me ofertaram, eu decidi presenciar o lançamento mundial de Código da Vinci assim como o resto dos cinéfilos de 72 países, já preparando uma resenha do filme! Satisfação Garantida? Presente Monumental? Valeu a Pena? Quanto ao filme, NÃO! Mas quanto aos amigos sem dúvidas! O que renderam ótimas gargalhadas depois enquanto bebíamos e esculachávamos o filme, não tem preço! Vamos a "crítica":

Para quem leu o livro já sabe: ler O Código Da Vinci é ler o roteiro de um filme hollywoodiano. Sem rodeios, rápido, pontuado por seus clichês, perseguições de carro, cidadãos comuns dando olé na polícia e (muitas) reviravoltas. O jogo já estava ganho no momento em que o primeiro exemplar foi vendido, e daí para uma produção estrelada por Tom Hanks ou qq outro astro, foi um pulo!

Justamente nesse tipo de faceta é que o filme inteiro é amarrado: o roteiro do filme é seguido de uma maneira tão metódica e linear, que algumas falhas que poderiam ser melhoradas ou personagens pouco explicados onde poderiam ser dada uma nova roupagem, enriquecendo a obra e complementando o romance, são completamente descartados! Parece que alguns atores esqueceram seus talentos interpretativos para conseguir aquilo que o filme conquistou para eles: $$$ e amém! Tom Hanks, como Robert Langdon e a Audrey Tautou, como a Sophie Neveau estão como contadores de frigorífico, frios, calculistas, sem emoção, sem talento, sem sal! Robert Langdon, no livro, demonstra toda a empolgação, emoção, desvaneio, alegria monumental diante da surpresa da descoberta da chave do Priorado de Sião, do Graal, do Críptex e todos os eventos que surge daquilo que ele estudou a vida toda como criptólogo. Imagina aquele professor sacal, chato, arrogante, quadrado, um porre que dá a aula mais insuportável da faculdade e explica sua matéria da maneira mais arrastada, sonolenta e intolerável, como se obrigasse vc a cometer suicídio para se salvar: Esse é Robert Langdon de Tom Hanks! Algumas vezes ele e a Audrey conseguia transparecer toda a sintuosidade orgasmática da descoberta com um talento interpretativo de um locutor da Radio Relógio! Dava raiva! O Alfred Molina (filmes como Frida, Chocolate, Lutero e Homem-Aranha 2), como o bispo Aringarosa deixou saudades. Apareceu muito pouco e foi mal colocado. Jean Reno como Bezu Fache foi mediano. A (falta) de agressividade, autoridade e espirito de presença não me convenceram. Na verdade quem roubou todas cenas foi o Ian Mackellen (X-men 1,2 e 3, todos os Senhor do Anéis, O aprendiz, Deuses e Monstros) e o Paul Bettany (Uma Mente Brilhante, Dogville e Mestre dos Mares) porque eles simplesmente interpretaram!!! Não conhecia o Paul, e seu personagem surgiu sem muitas explicações, mas o cara estava empolgante na sua fé cega e objetiva! Eu sei o que acontece com ele mas até torci pelo Silas! ;-) Já O Ian como o Teabing conseguiu arrancar uns poucos risos da platéia com suas tiradas sarcásticas e inteligentes, roubando todas as cenas quando surgia!

As mirabolantes explicações sobre a Opus Dei, Jesus Cristo, Maria Madalena e os Cavaleiros Templários são ilustradas através de flashbacks, o que pode irritar os mais impacientes como eu por exemplo, devido a maneira quase pedagógica das explicações. O Teabing fala, a Sophie pergunta e o Robert complementa. Tudo bem que a complexidade da trama exige explicações, mas tudo tão mastigadinho é quase uma afronta com a sua inteligencia! Alguns efeitos foram muito bem acrescentados ou inteligentemente modificados para a linguagem cinematografia. Mas o que deveria dar agilidade a trama pela grandiosidade dos fatos, fica em segundo plano pela falta de empolgação e interpretação dos atores. E ninguém é amador ou só fez filme de quinta categoria para agir assim. O livro é de tirar o folego do começo ao fim! E quanto mais se aproxima do final, mas vc quer continuar a saber da verdade! Como se metade do livro fosse de clímax! O filme tem uns 3 ou 4 climax e só. O máximo que pode fazer vc continuar, como algumas pessoas na sala demonstraram, foi o sono! ;-)

Resumindo: vejam o Codigo da Vinci. Pela internet! Se atreverem a isso!

A melhor parte de todas foi a cervejada, com uma torta na porta do shopping, num frio de rachar, tomando sopa na barraca do seu Zé das Candongas! A simplicidade de determinadas coisas tem mais valor para mim do que uma festança arregaçada numa boate! Sem falar que as merdalhocas pulularam sem parar!
Obrigado a TODAS as pessoas que me brindaram no meu aniversário! Recebi dezenas de ligações, cartões, sms e caralhões de scraps no Orkut! Aqueles que me ligaram e ficaram com medo de encarar essa estréia estão perdoados! Obrigado incondicionalmente pela presença de espírito de vcs!

Beijos abraços e um remedinho de vez em quando...

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